A premiação do III Prêmio Odair Firmino de Solidariedade ocorrerá na próxima semana, dia 9 de novembro, em Brasília (DF). Mas para que nossos leitores já conheçam um pouco mais sobre as três experiências finalistas do prêmio, vamos aqui apresentá-las!

Navegando nos Direitos

Foi lá de Paranaguá, no estado do Paraná, que veio o projeto “Navegando nos Direitos”. Paranaguá é uma cidade portuária e com pouco mais de 120 mil habitantes, a cada três dias, registrava-se um caso de abuso e/ou exploração sexual.

Desenvolvido desde 2006 pela Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda), a experiência tem o foco no enfrentamento ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Além disso, o projeto incentiva a participação e o protagonismo juvenil, articulando as diversas instâncias para a implementação das políticas públicas de garantia dos direitos infanto-juvenis. O projeto ainda atua no fortalecimento da rede de proteção, contribui com campanhas educativas e desenvolve práticas de prevenção e mobilização, por meio da educomunicação em diversas escolas do município.

Hoje grande parte das escolas da rede pública estadual de Paranaguá realiza mobilizações na semana de 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. As atividades são geralmente executadas pelos próprios estudantes e os jovens integrantes do projeto também são preparados para debater o tema em espaços para além do município. A cada ano, cerca de 450 estudantes de escolas públicas são sensibilizados. Somente durante os primeiros anos do projeto, 5 mil adolescentes foram alcançados, bem como 10 mil caminhoneiros, 160 crianças, 60 diretores de escola, 150 alunos de ensino superior, 800 jornalistas, 600 lideranças comunitárias e 2 mil professores do ensino médio.

Grupo Urucongo de Artes

Tendo em vista o alto índice de desemprego na comunidade do Sitio Francisco Gomes em Crato, no Ceará, a exploração da mão de obra de jovens, a falta de terra para produção, surgiu como demanda a criação de um grupo que lutasse pelo desenvolvimento da cidadania de seus membros e da localidade. Em busca do protagonismo juvenil e do desenvolvimento local sustentável, com valorização do saber tradicional e as manifestações artístico culturais da comunidade, nasce em 2006 o “Grupo Urucongo de Artes”, também uma das experiências finalistas do prêmio.

O projeto tem o objetivo de potencializar as práticas de turismo ecológico comunitário desenvolvido pelos moradores do Sítio Francisco Gomes, comunidade localizada ao sopé da Serra do Araripe. A experiência ainda capacita os moradores a desenvolverem ações de conservação, uso sustentável da mata nativa e recuperação de ambientes degradados, fazendo com que os comunitários percebam que é possível produzir e gerar renda valorizando a cultura e a vida plena.

O Grupo Urucongo de Artes utiliza o teatro, a música, a dança como ferramenta para a mobilização social. No início contava com o envolvimento de 15 jovens do Sítio Francisco Gomes e hoje conta com 48 pessoas e abrange mais duas comunidades: Currais e Coqueiro.

Jovens Multiplicadores da Agroecologia

Mesmo compreendendo comunidades e municípios diferentes, os grupos de “Jovens Multiplicadores da Agroecologia” têm algo em comum: fortalecer a juventude rural local por meio de ações de formação e desenvolvimento agroecológico para contribuir com o seu protagonismo e permanência no campo.

Esse trabalho vinha sendo desenvolvido em comunidades isoladas, porém todos realizavam ações comuns. Diante disso formou-se uma Comissão Territorial de Jovens Multiplicadores da Agroecologia para ampliar a troca de experiências entre os grupos. Cada grupo desenvolve as atividades na sua base, garantindo a participação qualificada nos momentos de discussão a nível territorial. ´

Os grupos trabalham com várias atividades, entre elas: implantação de viveiros de mudas; realizam ações de recuperação e preservação dos recursos naturais; planejamento de propriedades; implantação de sistemas agroflorestais e de diversificação dos sistemas produtivos; criação de pequenos animais (galinha, caprinos e ovinos); produção de artesanato; e produção de alimentos saudáveis para comercializar em feiras agroecológicas.

Atualmente fazem parte dessa comissão as comunidades de Santana dos Guerras, Sítio Velho (Santa Cruz da Baixa Verde), Alagoinha, Oiticica e Carnaubinha (Triunfo) e Sítio Cipó (Flores), todas em Pernambuco.

por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira / Secretariado Nacional