2010 foi o ano de lançamento do Prêmio Odair Firmino de Solidariedade. Sua primeira edição teve o objetivo de promover a solidariedade e valorizar experiências e ações coletivas que promovam o protagonismo dos brasileiros excluídos pelas políticas públicas e reconhecer os esforços das organizações, associações, entidades e grupos populares na defesa da vida.

Naquele ano, foram inscritos 27 projetos, das cinco regiões do Brasil. No dia 20 de outubro as inscrições encerraram e os sete integrantes da comissão julgadora, pré-selecionaram 13 experiências e escolheram os três vencedores. A entrega dos troféus, certificados e o prêmio em dinheiro, ocorreu no dia 25 de novembro de 2010, no auditório Dom Helder Câmara da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília – DF.

O terceiro colocado foi a experiência “Coleta Seletiva Solidária”, da Associação Reciclázaro, de São Paulo (SP). A Reciclázaro surgiu em 1997, quando por motivação do Padre José Carlos, os moradores do Bairro da Água Branca, resolveram ajudar os moradores de rua que ficavam no lugar. Alugaram um espaço onde eles podiam fazer todas as suas necessidades, fazer refeições e serem escutados por uma equipe multidisciplinar. Com a convivência foi possível perceber que vários beneficiários já tinham se envolvido com a coleta de materiais recicláveis.

A Associação Reciclázaro tem o trabalho voltado para coleta e triagem de materiais recicláveis. A associação começou a desenvolver o programa ‘Coleta Seletiva Solidária: Reciclando Vidas’, na região oeste de São Paulo. A Reciclázaro se tornou referência na coleta de resíduos sólidosem São Pauloe fortaleceu a rede de comercialização solidária entre as cooperativas.

O segundo prêmio foi dado ao projeto “Convivência com a Realidade Semiárida: Promovendo o Acesso a Água, Solidariedade e Cidadania”, do Centro de Educação Popular e Formação Social, do município de Teixeira, na Paraíba. A experiência surgiu a partir da necessidade das famílias que vivem na região semiárida do sertão da Paraíba, que dependiam de carros pipa para o abastecimento. A vida dessas famílias começou a mudar em 1994.

O destaque da abordagem se voltou para processos pedagógicos, através de diálogos realizados com as famílias. O objetivo era promover o empoderamento social, a partir do fortalecimento político organizativo das comunidades resgatando práticas de solidariedade. Cerca de 1.200 famílias, em 33 comunidades, através do Fundo Rotativo de Solidariedade, mantêm uma dinâmica de abastecimento de água potável por cisternas que recolhem água das chuvas e asseguram uma segurança hídrica em uma região que tem escassez de água.

A iniciativa deu tão certo que se espalhou para diversos municípios como Desaterro, Taperoá, Livramento e Imaculada. Atualmente, são 5.670 pessoas que passaram a ter condições adequadas para armazenar 120 mil litros de água potável por meio da construção de 945 cisternas, melhorando a qualidade de vida das famílias.

O primeiro lugar ficou com o projeto “Veredas Vivas”, da Agência 10envolvimento, comunidade Ponte de Mateus, localizada no município de São Desidério, interior da Bahia.  A comunidade conta com 60 famílias o que corresponde cerca de 150 pessoas, que representam o símbolo de resistência ao agronegócio e luta pela preservação do meio ambiente.

O Veredas Vivas é conduzidos em grande maioria por mulheres, que usam o capim dourado e outros matérias para produzir biojóias e artesanato, além de fazer o aproveitamento de frutas e plantas do cerrado que servem para a produção de remédios naturais.

Segundo a representante da Agência 10envolvimento, já são fabricados pela comunidade cerca de 13 tipos de fitoterápicos, entre garrafadas ou tinturas, xaropes, hormônios naturais, jatobá e culinária.

Veja a revista com as experiências pré-finalistas de 2010 AQUI

Assista o vídeo com as três experiências vencedoras em 2010